CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 142
O erro de indicação da pessoa ou da coisa, a que se referir a declaração de vontade, não viciará o negócio quando, por seu contexto e pelas circunstâncias, se puder identificar a coisa ou pessoa cogitada.

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ARTIGOS
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Resumo Jurídico

O Poder da Impenhorabilidade do Bem de Família: Um Resumo do Artigo 142 do Código Civil

O artigo 142 do Código Civil, em sua redação atualizada, traz um importante dispositivo legal que visa proteger o bem mais precioso da família: o seu lar. Este artigo estabelece a impenhorabilidade do imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, quando este for o único bem a ser considerado. Em outras palavras, a lei concede uma proteção especial a este bem, impedindo que ele seja tomado por dívidas.

O Que Significa Impenhorabilidade?

Impenhorabilidade é um privilégio legal que impede que um determinado bem seja objeto de penhora por credores para satisfazer dívidas. O objetivo principal desta proteção é garantir que a família não perca o seu local de moradia e, consequentemente, preserve um mínimo de dignidade e segurança.

Quais Bens São Protegidos?

O artigo 142 protege o imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar. É fundamental destacar que a lei se refere ao único imóvel de propriedade da família. Se um casal possuir diversos imóveis, a impenhorabilidade se aplicará apenas àquele que serve de residência principal.

Para Que Tipo de Dívidas Essa Proteção Se Aplica?

Em regra geral, a impenhorabilidade se aplica a dívidas de natureza comum, ou seja, aquelas contraídas pelos cônjuges ou pela entidade familiar em suas atividades cotidianas ou empresariais, que não tenham relação direta com o próprio imóvel.

Exceções à Regra: Quando o Bem de Família PODE Ser Penhorado?

Apesar da forte proteção conferida pelo artigo 142, a própria legislação estabelece algumas exceções importantes. O imóvel residencial, mesmo sendo o único, poderá ser penhorado nos seguintes casos:

  • Dívidas de impostos e taxas que recaiam sobre o imóvel: Se houver débitos de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), condomínio ou outras taxas diretamente ligadas ao imóvel, ele poderá ser penhorado para quitar essas dívidas.
  • Créditos de trabalhadores, empregadores ou fornecedores de bens e serviços: Dívidas trabalhistas ou aquelas contraídas em razão da prestação de serviços ou fornecimento de bens para a própria família podem levar à penhora do bem.
  • Financiamento do próprio imóvel: Se o imóvel foi adquirido por meio de um financiamento bancário, o próprio bem pode ser utilizado como garantia e, em caso de inadimplência, sofrer penhora.
  • Dívidas oriundas de fiança ou aval prestados em contrato: Se um membro da família assumiu responsabilidade como fiador ou avalista em uma dívida e essa obrigação não for cumprida, o bem de família poderá ser penhorado.
  • Ações de despejo por falta de pagamento de aluguel: Embora o foco seja o imóvel próprio, a inadimplência em um contrato de aluguel, mesmo que não seja do imóvel próprio, pode ter consequências sobre outros bens do locatário.
  • Dívidas de pensão alimentícia: Esta é uma das exceções mais relevantes. Dívidas de pensão alimentícia, sejam elas de cônjuges, filhos ou outros dependentes, não se sujeitam à impenhorabilidade do bem de família.

Importância da Proteção

O artigo 142 é um reflexo da preocupação do legislador em preservar a unidade familiar e garantir um mínimo existencial. A perda do lar pode ter consequências devastadoras para todos os seus membros, especialmente para crianças e idosos. Ao estabelecer essa proteção, a lei busca equilibrar os direitos dos credores com a necessidade fundamental de moradia da família.

Em resumo: O artigo 142 do Código Civil confere uma proteção robusta ao único imóvel residencial da família, impedindo sua penhora por dívidas em geral. Contudo, é crucial estar ciente das exceções legais, que visam garantir o cumprimento de obrigações essenciais e proteger outras partes envolvidas em relações jurídicas. Em caso de dúvidas ou situações específicas, a consulta a um profissional do direito é sempre recomendada.